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Congresso Bibliotecário BiblioCon 2026: Perspetivas internacionais sobre bibliotecas e democracia

Na 114.ª BiblioCon, representantes de associações internacionais debateram estratégias para garantir o acesso livre ao conhecimento e o papel das bibliotecas em diferentes sistemas políticos e sociais.

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O Ibero-Amerikanisches Institut (IAI) esteve presente na BiblioCon 2026 com uma mesa-redonda internacional dedicada a questões centrais como democracia, acesso ao conhecimento e a responsabilidade das bibliotecas. A sessão intitulada “International perspectives and strategies of libraries for free access to knowledge, transparency, and democracy” realizou-se a 21 de maio de 2026, no auditório do congresso, e foi moderada por Christoph Müller (IAI).

Perspetivas internacionais e abordagens estratégicas

Participaram no debate representantes de destaque de associações bibliotecárias internacionais: Sharon Memis (secretária-geral da IFLA), Erna Winters (presidente da EBLIDA), Alexander Hasgall (diretor executivo da LIBER), bem como Antje Theise (presidente federal da Associação Alemã de Bibliotecas – dbv).

Entre os participantes esteve também Christoph Müller, em representação do IAI, que está ativamente envolvido em instâncias internacionais da área bibliotecária. Desde o início de 2026, é vice-presidente do comité nacional alemão da International Federation of Library Associations and Institutions (IFLA) e, na sua função na direção da Associação de Bibliotecários Alemães (VDB), é responsável, sobretudo, pelos assuntos internacionais. Neste papel, contribui diretamente com a sua experiência na cooperação bibliotecária internacional para o intercâmbio profissional, reforçando simultaneamente a visibilidade do IAI no debate global sobre bibliotecas.

O painel centrou-se na questão do papel das bibliotecas num contexto político e social em transformação. Em particular, foram discutidas estratégias para assegurar o acesso livre à informação, reforçar as estruturas democráticas e lidar com o crescente pressão política e a desinformação.

Bibliotecas como infraestruturas da democracia

Um dos principais eixos do debate foi o papel das bibliotecas como infraestruturas fundamentais das sociedades democráticas. Várias intervenções sublinharam que, enquanto espaços não comerciais, as bibliotecas proporcionam acesso aberto ao conhecimento e contribuem ativamente para a participação social.

Sharon Memis destacou a responsabilidade das bibliotecas a nível global e salientou a sua importância como espaços de diversidade, inclusão e acesso livre à informação. Neste contexto, sublinhou-se também a necessidade de fortalecer as bibliotecas como instituições resilientes e de investir na sua capacidade de futuro.

Christoph Müller retomou estas perspetivas e referiu-se a três conceitos-chave ancorados na Estratégia 2030 da SPK/IAI – Resilience, Relevance e Reliability –, considerados condições fundamentais para a eficácia social do trabalho das bibliotecas.

Desafios políticos e desinformação

Outro ponto central foi a forma de lidar com tentativas de influência política, censura e a crescente pressão sobre as instituições bibliotecárias. Discutiu-se como as bibliotecas podem preservar o seu papel enquanto plataformas abertas e, simultaneamente, lidar com conteúdos discriminatórios ou antidemocráticos.

Erna Winters destacou que as bibliotecas podem criar espaços onde diferentes perspetivas não são colocadas em confronto, mas tornam-se visíveis lado a lado. Esta capacidade de promover o diálogo e o entendimento foi considerada uma das principais forças das bibliotecas para a resiliência democrática.

Cooperação global e novos desafios

O debate evidenciou que muitos dos desafios atuais — como a desinformação, o papel da inteligência artificial ou questões de sustentabilidade — só podem ser enfrentados através da cooperação internacional.

Neste contexto, Alexander Hasgall referiu a crescente importância das novas tecnologias, ao mesmo tempo que destacou o valor cada vez maior da cooperação global e de normas partilhadas no acesso ao conhecimento.

Também foi apresentada a perspetiva alemã: Antje Theise sublinhou o papel das bibliotecas para a sociedade civil e mencionou projetos de promoção da democracia, nomeadamente no âmbito das bibliotecas escolares e educativas.

Património cultural, contextos coloniais e acesso

Outra parte do debate centrou-se na gestão de materiais culturalmente sensíveis e de coleções provenientes de contextos coloniais. Destacou-se que as bibliotecas enfrentam, cada vez mais, o desafio de organizar o acesso a acervos históricos com sensibilidade e em colaboração com as comunidades de origem.

Diretrizes já existentes e recomendações internacionais oferecem orientação neste domínio. Ao mesmo tempo, sublinhou-se que estes processos estão estreitamente ligados a questões de transparência, participação e relações de poder no sistema global do conhecimento.

Relevância para o IAI

Os temas debatidos têm particular relevância para o IAI. Enquanto instituição com extensos acervos sobre a América Latina, as Caraíbas, Espanha e Portugal, o instituto está fortemente envolvido em questões relacionadas com o acesso ao património cultural e com a gestão de materiais sensíveis, especialmente em contextos indígenas.

Neste âmbito, ganham importância abordagens que vão além das perspetivas clássicas sobre coleções de origem colonial e que apostam em estratégias de acesso participativas, sensíveis ao contexto e responsáveis. Diretrizes internacionais — como os princípios CARE (Collective Benefit, Authority to Control, Responsibility, Ethics) — sublinham a necessidade de envolver ativamente as comunidades de origem e de reconhecer diferentes sistemas de conhecimento.

Estas perspetivas são centrais para o trabalho do IAI e refletem-se tanto na catalogação e digitalização dos acervos como nas suas cooperações internacionais e formatos de diálogo. O instituto entende-se como uma instituição ponte, que contribui para a reflexão sobre as assimetrias globais do conhecimento e promove um acesso ao património cultural sensível e inclusivo.