Um escritor entre culturas – Espanha, América Latina, Caribe, Berlim
Cees Nooteboom foi um autor que transformou o estar em movimento numa atitude literária. Em seus ensaios, romances e relatos de viagem, explorou com profundidade os paisagens culturais da Espanha e de Portugal, deteve-se diante das realidades da América Latina e do Caribe, e entrelaçou observações geográficas com reflexões históricas e filosóficas. Seus textos abrem portas para os mundos ibéricos e ibero-americanos com uma sensibilidade tão fina que vai muito além do turismo literário.
Berlim também foi um lugar central em seu pensamento e escrita. Desde os anos 60, Nooteboom retornou repetidamente à cidade, registrando com precisão sua transformação. Suas obras sobre Berlim revelam uma profunda sensibilidade pela história urbana, pelos encontros entre culturas e pelos momentos de transição – temas que acompanham o IAI há décadas.
Nooteboom e o IAI
Durante muitos anos, Cees Nooteboom manteve uma relação estreita com o IAI, especialmente como usuário da biblioteca e como convidado literário. Um dos momentos mais marcantes foi a conferência Tras las huellas del Quijote (2005), tão concorrida que precisou ser transferida para uma sala maior. No âmbito da série 400 anos do Quixote, Nooteboom conduziu o público do IAI — em cooperação com o Instituto Cervantes de Berlim —, de forma reflexiva e narrativa, “pelos passos de Dom Quixote”. Nesta ocasião, apresentou um capítulo de O desvio para Santiago e refletiu sobre a literatura, as viagens e a atualidade dos textos clássicos.
Sua novela Allerseelen também faz referência ao IAI, com uma menção sutil, mas significativa, à importância que esse espaço teve em sua vida em Berlim.
Uma obra que permanece
Cees Nooteboom deixa um legado literário impressionante: romances como Rituale e Die folgende Geschichte, coletâneas de poemas, ensaios e relatos de viagem que o consagraram como um dos autores europeus mais importantes de sua geração. Seus textos combinam leveza filosófica com uma visão atenta e curiosa do mundo, abordando temas como memória, identidade, traduções culturais e a relação entre história e presente.
Essa profundidade temática e abertura para o outro refletem também os eixos centrais do IAI: o interesse pelas interconexões transregionais, a atenção aos espaços de percepção e o valor do intercâmbio cultural.