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Clássico Final e Pós-clássico no norte de Campeche, México: continuidades e rupturas

Projeto com fomento externo

Pontos importantes

Duração:

01.01.2012 - 30.11.2018

Status: concluído

Patrocinadores:

Grupo de projeto:

Cientistas:

  • Dr. Iken Paap
  • Roswitha Koenitz M.A.
    Wissenschaftliche Hilfskraft
  • Lola Martina Kaiser M.A.
    Wissenschaftliche Hilfskraft
  • Marieke Joel M.A.
    Wissenschaftliche Hilfskraft

Coordenação:

Parceiros de cooperação / Instituições:

Instituto Nacional de Antropología e Historia, México

Descrição

Ponto de partida

Cresteria, detalle

Em Dzehkabtún, um complexo de ruínas dos maias no norte do estado federal mexicano de Campeche, o Instituto Ibero-Americano desenvolveu, desde março 2012, um projeto de pesquisa arqueológica sobre o contexto sociopolítico durante a transição do Clássico Final para o Epiclássico (850 - 1100 d.C.). Durante esse período, um novo padrão arquitetônico marcou a construção de edifícios do centro urbano de Dzehkabtún.

Este projeto de medições e escavações investiga as causas e consequências desta profunda mudança no fim do Clássico para os habitantes do povoado, bem como as suas estratégias de gerenciamento de crises. Além disso, o projeto explorou a zona de transição entre os domínios estilísticos do Puuc e Chenes, na região norte da península de Yucatán, a qual permanece arqueologicamente pouco estudada.

Sítio web do projeto (link externo, abre uma nova janela)

 

Objetivos

A prioridade das pesquisas recai sobre as estruturas "em forma de C" ou "em forma de L", assim chamadas devido à forma de sua planta. No Puuc e nos arredores estas estruturas apontam para atividades epiclássicas e pós-clássicas.

Após o auge da formação de povoados no período clássico tardio-final (800-900 d.C.), observou-se em vários povoados da península de Yucatán uma interrupção nas construções de maior relevância, durante o Clássico Final até o Epiclássico (850-1100 d.C.), seguida de uma mudança na utilização das estruturas já construídas e de construções seguindo novas formas arquitetônicas e, por fim, do abandono definitivo da maioria dos povoados. No entanto, aos resultados que registram uma ruptura drástica nas elites juntam-se os claros indícios da existência de uma continuidade entre várias outras camadas da população, sob um novo enquadramento sociocultural e ecológico.

O primeiro estudo cartográfico da área, efetuado em 2007 e 2008, engloba grande parte do centro, densamente urbanizado. Durante as campanhas realizadas nesse ano pelo Projeto Arqueológico Dzehkabtún entre março e maio de 2012, uma equipe composta por estudantes universitários, doutorandos e especialistas mexicanos e alemães continuou as medições. A partir de 2013 estão realizadas escavações de estruturas do Epiclássico e do Pós-clássico nos complexos de quintas do centro urbano.

Resultados esperados

Dintel, detalle

Entre 2012 e 2018, um projeto arqueológico desenvolvido pelo Ibero-Amerikanisches Institut investigou o sítio maia de Dzehkabtún, na península de Yucatán, como um estudo de caso regional para a análise das dinâmicas sociopolíticas durante a transição do Clássico Tardio para o Clássico Terminal. A pesquisa concentrou-se no núcleo do assentamento, com sua extensa arquitetura epiclássica, bem como em áreas selecionadas da periferia, por meio de escavações extensivas e calas estratigráficas.

Diante da ausência de uma cronologia contínua e estratigraficamente controlada para o centro da península de Yucatán (região Chenes, estado de Campeche), o projeto também examinou a organização e o desenvolvimento do assentamento desde sua fundação, contextualizando os resultados tanto em nível regional quanto suprarregional (redes de intercâmbio de longa distância). Esse trabalho permitiu estabelecer uma cronologia contínua e uma sequência cerâmica que abrangem do Pré-Clássico Médio (1000 a.C.) ao Clássico Terminal Tardio (950 d.C.), preenchendo, assim, uma importante lacuna de pesquisa para a área de estudo.

Entre os resultados mais relevantes destaca-se uma ocupação pré-clássica (fase pré-Mamom) inesperadamente intensa—documentada pela primeira vez nessa escala na área de estudo—bem como o abandono quase total do sítio no início do Pós-Clássico, com exceção de depósitos isolados. As evidências referentes ao Clássico Terminal Tardio indicam uma crescente regionalização das relações econômicas, associada a processos internos marcados por crise e violência, tais como abandonos rápidos, destruição de edificações e a morte violenta de indivíduos, com desenvolvimentos diferenciados entre o núcleo do assentamento e sua periferia. Também se sugere um deterioro paralelo no abastecimento de água e de alimentos.

Apesar dessas disrupções, nem o registro material nem a evidência estratigráfica indicam uma ruptura completa das tradições ou a presença de um hiato anterior ao Pós-Clássico. Os resultados obtidos em Dzehkabtún contribuem, portanto, de maneira substancial para uma compreensão mais ampla das dinâmicas do colapso final da sociedade maia clássica fora dos principais centros de poder das Terras Baixas.


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