Ir direto ao conteúdo


Pôsteres do Estallido Social no Chile: Uma Perspectiva da Cultura Visual no IAI

Uma seleção de pôsteres políticos do Chile oferece uma visão da cultura visual do Estallido Social e mostra como as imagens de protesto acompanham e moldam processos de transformação social.

, Notícia

Na Sala de Leitura de Mapas do IAI está sendo apresentada uma seleção de pôsteres produzidos durante o Estallido Social, a onda de protestos que teve início em outubro de 2019 no Chile e que rapidamente se transformou em uma expressão nacional de reivindicações sociais e políticas. A mostra destaca como o design gráfico, os lemas e a simbologia visual se tornaram ferramentas fundamentais de comunicação pública e de articulação coletiva.

Cultura visual do protesto e comunicação política

O Estallido Social — entendido como uma explosão social — foi desencadeado pelo aumento das tarifas do transporte público na região metropolitana de Santiago. O que começou como ações de evasão lideradas por estudantes rapidamente evoluiu para um movimento amplo, que passou a abordar questões estruturais mais profundas, como desigualdade social, violência policial e a demanda por uma nova Constituição. Os pôsteres, intervenções gráficas e outras formas visuais de protesto marcaram a paisagem urbana ao longo desse período e permanecem como registros expressivos da criatividade e da diversidade da expressão pública em um momento de intensa mobilização social.

Inserção nas coleções e linhas de pesquisa do IAI

A seleção apresentada foi realizada por Philipp Kandler, que realizou a sua formação bibliotecária no IAI e cujo projeto se dedicou à arte gráfica política e à cultura visual de protesto no Chile. A mostra reúne materiais preservados nas coleções especiais do Instituto, dedicadas a movimentos sociais e cultura visual. Assim, ela complementa as atividades de pesquisa e documentação do IAI sobre práticas midiáticas, comunicação política e processos de transformação social na América Latina.

Visita

A apresentação pode ser visitada durante o horário regular de funcionamento da Sala de Leitura de Mapas. Recomenda-se que visitantes se registrem no balcão de atendimento ou agendem uma visita com antecedência pelo e mail colecciones​(at)​iai.spk-berlin.de (abre seu cliente de e-mail).

Mais informações estão disponíveis no artigo da LACARinfo (link externo, abre uma nova janela) (em alemão).

“Que vivam os estudantes”: o desenho faz referência ao papel pioneiro dos estudantes no início dos protestos. Ele também contém vários símbolos e cita os grupos envolvidos: o movimento indígena, representado pela mulher no centro, que pode ser identificada como indígena por suas roupas. A mochila da menina também traz o brasão da bandeira Wenufoye dos mapuches. Seu lenço verde, associado na América Latina à reivindicação pela descriminalização do aborto, mostra que ela é representante do movimento feminista. O cão preto (“Negro matapacos”: “Paco” é o termo coloquial para a polícia, traduzido como “matador de policiais”) é um símbolo de protesto conhecido no Chile desde os protestos estudantis de 2011. Bater em panelas (cacerolazo) é uma forma comum de protesto na América Latina.