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Pampa e cultura: de Fierro a Netto.

Ligia Chiappini et al. (eds.)
Porto Alegre: Editora de UFRGS / Instituto Estadual do Livro, 2004, 285 pp.
ISBN: 85-7025-790-2

A questão da gauchesca, de interesse regional, passa a ter importância maior e significação mais ampla, quando se rediscute o Mercosul, tornando-se também necessária uma reflexão abrangente quanto à sua dimensão cultural. Revisitar o tema da cultura gauchesca, levando em conta uma perspectiva européia, evidencia como na Europa ainda se desconhece a riqueza da região pampiana e de todo o sul do Brasil, com sua diversidade - da cor da pele à música, da culinária aos costumes. Ademais, o Rio Grande do Sul tem experiência sui generis quanto à vida e à cultura fronteiriças. Considerado até espécie de sentinela do Brasil, vivenciou históricos conflitos com os países do Prata, de cujo contato, entretanto, resultou uma cultura híbrida e tolerante, transformando fronteiras de guerra em fronteiras de paz. Um espaço intermediário, onde as pessoas foram cotidianamente inventando modos de viver e se expressar, de forma a antecipar culturalmente o que hoje se configura, desconfigura e reconfigura do ponto de vista econômico, como o Mercosul. O recorte que propomos centra-se em manifestações culturais de zonas da fronteira brasileira com Uruguai e Argentina, bem como em respostas do público que as lê e recria. Essas zonas são palco de guerras infindáveis no século XVIII e XIX, adentrando o XX, quando passam a se constituir em regiões de convivência pacífica, embora não isentas de conflitos. Aqui, as questões territoriais, políticas, sociais e econômicas, as trocas de mercadorias legal ou ilegalmente, o contrabando, tornam-se elementos internos aos objetos culturais examinados, ao mesmo tempo em que representam o contexto mais geral à luz dos quais os textos (no sentido amplo) são lidos, interpretados e avaliados. Para atualizar os estudos da literatura e cultura gaúchas, em tempo de globalização, é fundamental introduzir a perspectiva comparatista, levando em conta o que Ángel Rama denomina "comarca pampeana" - zona de tensão entre nação e região e entre fronteiras geopolíticas e culturais, bem como entre o conceito de fronteira como linha divisória de nações, línguas e culturas e zona de convivência, em que essas divisões se embaralham e relativizam, quando não se amplia sua abrangência, no quotidiano das populações que aí vivem, trabalham, amam, festejam, sofrem e morrem.



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